Entrelaçados
Se perguntassem, nenhuma das duas saberia exatamente quando a química entre elas começou, ou o que mais atraia uma na outra, se era Vanessa que achava sexy o cabelo de cores berrantes da Andreia, ou se era Andreia que tinha gamado nos olhos azuis de Vanessa. Andreia, uma artista, além de escritora era uma pintora de traços fortes, bem de acordo com sua personalidade, havia achado em Vanessa uma garota de bem com a vida, e cujo humor ácido e sem reservas logo permitiu uma afinidade ímpar. Piadas aqui e ali, que evoluíram para indiretas de ambos os lados, a verdade é que quem entrasse no apartamento de Andreia, iria encontrá-las se beijando no sofá, delicadamente, se experimentando, se ajustando.
Cabelos nas mãos uma da outra, mantendo a proximidade do beijo. Vanessa passeia com as mãos por todo o esguio corpo de Andreia, sentindo a maciez do tecido leve da camisa, e por baixo dele a prisão do sutiã, que se normalmente indesejável, agora, com os bicos duros de excitação, se tornou insuportável. As mãos delicadas abrem o fecho com habilidade, sentindo as odiosas marcas lentamente se desfazendo na pele quente. Andreia suspira, aliviada, excitada, aproveita a proximidade dos corpos para mordiscar a orelha da parceira, de leve, num sussurro breve, diz simplesmente : “gostosa!!”
Tira a camisa, fazendo questão de agitar bem o cabelo de mil cores, provocando Vanessa, que morde o próprio lábio com batom borrado enquanto livra os próprios cabelos, negros e longos, da gola do vestido. Por baixo se vê um conjunto de renda vermelha. Na calcinha, um olhar atento veria a marca da umidade.
Andreia se levanta, seminua, tira o short curto, revelando a própria calcinha, negra. Os seios delicados livres, irresistíveis. Faz um gesto, convidando a outra a segui-la.
Chegam a seu destino. Tão logo entram, Vanessa, que está atrás, agarra sua deliciosa anfitriã, imprensando-a na parede, e vai lhe mordendo o pescoço, descendo pelo colo, os suspiros e respirações entrecortadas que ouve são seu combustível. Para no mamilo esquerdo, girando a língua ao seu redor, enquanto as unhas longas (postiças) arranham, com muito cuidado, o seio direito. Mordisca-o em seguida, chupando o mamilo, e desce, as garras riscando as costelas, até parar na calcinha. Desce-a devagar, e o que vê lhe deixa maravilhada.
Linda, delicada, lábios carnudos. Vindo da cintura, tatuado, um ramo com pequeninas flores encontrou ali seu fim, na flor que agora exala néctar, néctar de sensualidade. Vanessa crava com força as unhas na bunda de Andreia, puxando-a para sí, lhe dando um beijo especial, extraindo desses lábios mais umidade, e daqueles um gemido alto e agudo. Se levanta lentamente, beijando todo o caminho de volta, e num beijo compartilham daquele sabor. Tira as unhas de ambas as mãos, não se preocupando em guardá-las.
Andreia tira-lhe o sutiã de renda, atira para o lado, e vai empurrando-a em direção a cama, de costas, aos beijos. Apoia as mãos em seus ombros, e com um empurrão final, a vê finalmente ali, onde tantas vezes fantasiou: em sua cama, os cabelos esparramados, os seios entumescidos, a calcinha molhada. Mãos espalmadas, subindo pelas coxas, até alcançam aquele pedaço de renda vermelha que se entrepunha entre elas. Beijou-o todo, se concentrando ali naquele foco de calor e umidade. Apoiou o queixo, fazendo pressão, e puxou a calcinha. A fricção teve o efeito esperado, arrancou um suspiro alto, quase um gemido. Terminou de tirar a pequenina peça, parando por um minuto para beijar-lhe os pés, enquanto desvencilhava deles a calcinha. Finalmente nuas.
Vanessa chama-a com um gesto, a outra mão massageando o próprio seio, oferecendo. Uma oferta irrecusável. Andreia pula de supetão sobre ela, arrancando uma risada, que foi imediatamente sufocada por um suspiro, e depois um gemido. A boca quente de Andreia tinha fome, mas foi sua mão lá embaixo que encontrou o lugar certo. Se moveram, primeiro desajeitadamente, mas encontraram o ritmo certo para o prazer mútuo. Olho no olho, boca na boca, se beijaram de olhos abertos, queriam ver uma na outra o prazer brotando do fundo da alma. E foi vindo. Vindo. Vindo. O beijo parou, os gemidos eram inevitáveis. Foi no exato instante em Vanessa lhe arranhou as costas que chegou pra Andreia, forte, longo, causando espasmos, e como uma corrente elétrica, foi transmitido para a outra, que gemeu palavras desconexas enquanto lhe puxava os cabelos de aquarela. Os peitos arfando entre si. Os corações batendo descompassados. As respirações quentes se encontrando entre os rostos. E veio afinal o sorriso, e com o sorriso mais um beijo.
A noite seguiu, ambas trocando beijos nesses e naqueles lábios, se apertando, se mordendo, se curtindo. Até que exaustas, já avançadas na madrugada, adormeceram.
A luz do sol entrou através de uma pequena fenda na cortina, e veio beijar as peles macias.
No silêncio quase absoluto, se ouviam as respirações suaves.
Deitadas de lado, abraçadas uma a outra, seus corpos estavam misturados.
Mesclados.
Entrelaçados.
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